Premiê britânico diz a Trump que Reino Unido está 'pronto para fazer a sua parte no Oriente Médio'
Trump na ONU: Guga diz que presidente se coloca como “vencedor em tudo” O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontrou com o primeiro-ministro do R...
Trump na ONU: Guga diz que presidente se coloca como “vencedor em tudo”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontrou com o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, nesta terça-feira (22). Durante a reunião, o britânico afirmou que "pronto para fazer a sua parte no Oriente Médio".
No primeiro encontro entre os dois líderes, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, Burnham afirmou que eles estabeleceram uma "boa conexão" nas primeiras conversas.
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Segundo o premiê britânico, os dois discutiram a situação no Oriente Médio, as Ilhas Malvinas e questões comerciais.
A declaração sobre o Oriente Médio acontece logo após o discurso de Trump perante as Nações Unidas, em um encontro paralelo. Em sua fala pública, o republicano afirmou que ainda precisa decidir entre buscar um acordo com o Irã ou intensificar a ofensiva contra o país. O presidente americano, porém, não apresentou quais seriam as condições para uma eventual negociação.
"Será feito um acordo com o Irã que permita ao país se reconstruir e se tornar muito maior do que já foi, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo?", questionou. "Ou eu destruo a República Islâmica e faço isso rapidamente, sem nunca dar a eles a chance de voltar a matar e destruir pessoas e países? Eu os mando para o inferno, sem nenhuma possibilidade de sobrevivência e sem esperança de grandeza para o futuro ou para as próximas gerações?"
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Toby Melville / Reuters
Trump em dúvida, conflito em espera
A principal exigência mencionada por Trump é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Ele não explicou que tipo de garantias pretende obter de Teerã sobre o programa nuclear.
Também não está claro se os Estados Unidos exigiriam compromissos sobre os programas iranianos de mísseis e drones. Outro ponto de possível negociação é a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte marítimo de petróleo.
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Trump afirmou que acredita na possibilidade de um acordo após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro. Segundo o presidente, o governo iraniano estaria aguardando o resultado da votação.
Ele também indicou disposição para receber representantes iranianos em Nova York. Uma eventual reunião poderia abrir espaço para uma negociação direta entre os dois países.
Trump ainda agradeceu ao Conselho de Segurança da ONU pela aprovação de uma resolução que condenou ataques iranianos contra embarcações comerciais. O presidente defendeu a continuidade da pressão internacional sobre Teerã.
Reino Unido entra no jogo
Antes de viajar aos EUA, Burnham disse que pretende defender o fim do conflito e uma redução da escalada. Segundo o jornal "The Guardian", o trabalhista afirmou que pediria ao presidente americano que encerrasse a guerra e disse que o Reino Unido estava pronto para contribuir para esse objetivo.
Sobre o Estreito de Ormuz, Burnham vinculou a atuação britânica à necessidade de manter abertas as rotas marítimas e proteger o abastecimento de energia. Na última segunda-feira (21), ao anunciar apoio defensivo à Arábia Saudita, ele disse que era necessário "manter esses caminhos abertos".
A posição foi reforçada pelo governo britânico nesta terça. Em comunicado oficial, Burnham afirmou que pretende defender na ONU uma maior cooperação internacional e destacou que os acontecimentos no exterior têm impacto direto sobre a população britânica. O premiê deve discursar na parte da noite.
Primeira impressão
A relação com os Estados Unidos está entre os principais desafios da política externa do governo britânico. A aliança entre os dois países, historicamente considerada uma das mais próximas do mundo, foi afetada por divergências relacionadas à política externa de Trump.
"Essa relação é muito importante para nós e vamos desenvolvê-la", afirmou Burnham.
Entre os pontos de tensão está a decisão dos Estados Unidos e de Israel de atacar o Irã neste ano. Burnham também enfrenta uma disputa com Washington sobre o futuro de uma base militar americana localizada na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico.
Após o encontro, Trump voltou a criticar o acordo firmado pelo Reino Unido para definir o futuro das Ilhas Chagos, que incluem Diego Garcia. O presidente americano classificou o entendimento como um "acordo terrível".
"Eu não apoio isso. Foi um acordo terrível", disse Trump. "Alguém passou a ter a propriedade, alguém que nunca apareceu antes, depois de décadas e séculos. Acho isso ridículo."
O Reino Unido anunciou no ano passado um acordo para transferir a soberania das Ilhas Chagos para as Ilhas Maurício, após mais de dois séculos de domínio britânico. Pelo entendimento, Londres manteria por 99 anos o controle de Diego Garcia, onde funciona uma importante base militar americana.
A legislação necessária para implementar o acordo foi suspensa após a oposição dos Estados Unidos. Burnham afirmou que pretende encontrar uma solução para a questão.
Durante o encontro, Trump também chamou Burnham de "um homem de negócios nato".