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Pedreira sem licença provoca rachaduras e medo em casas no Sertão de AL

Pedreira não tem licença para funcionar em São José da Tapera, afirma IMA Moradores do Sítio Serrinha, na zona rural de São José da Tapera, no Alto Sertão de Al...

Pedreira sem licença provoca rachaduras e medo em casas no Sertão de AL
Pedreira sem licença provoca rachaduras e medo em casas no Sertão de AL (Foto: Reprodução)


Pedreira não tem licença para funcionar em São José da Tapera, afirma IMA Moradores do Sítio Serrinha, na zona rural de São José da Tapera, no Alto Sertão de Alagoas, denunciam danos em casas e transtornos provocados pelas explosões realizadas por uma pedreira instalada na região. Segundo a prefeitura, o empreendimento funciona sem licença municipal desde fevereiro deste ano. (Assista acima) 📱Participe do canal do g1 Alagoas A Britex Minerações chegou ao município há cerca de dois anos. Desde então, moradores afirmam que as detonações usadas para o desmonte das rochas passaram a fazer parte da rotina da comunidade e que não há horário definido para as explosões. O g1 tentou contato com a Britex Minerações, mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. Segundo os moradores, cerca de 50 residências da comunidade foram afetadas, a maioria com rachaduras. Há relatos de fissuras em pisos, paredes e tetos, além de vidros e móveis quebrados. Francisco Ferreira e Gloria Maria, ambos de 92 anos, vivem perto da área onde a pedreira funciona. Eles contam que o barulho e as vibrações provocados pelas explosões alteraram a rotina da família. Gloria relata que a casa chega a tremer durante as detonações. “De noite ou de dia, não tem hora. A casa enche de terra, os homens não querem nem saber. O ‘caba’ se assusta”, disse Francisco. Rachaduras e medo dentro de casa Pedreira causa rachaduras em casas de São José da Tapera. Rodrigo Rocha/TV Asa Branca Alagoas Em alguns imóveis, as fissuras são profundas e permitem a passagem de luz pelas paredes. Uma das casas é a do pintor Clécio Cabral. Ele conta que trabalhou durante quase oito anos em São Paulo e juntou dinheiro para construir a residência onde hoje vive com a esposa e os filhos. Agora, afirma que convive com rachaduras e com o medo de que novos danos sejam provocados pelas explosões. “Tenho muito medo, realmente. Quando vêm essas chuvas de trovoada, fico com muito medo, porque, com criança dentro de casa, não dá para confiar. Já pensei até em sair daqui”, disse Clécio. Na casa de Valquíria Santos, janelas e o espelho de um guarda-roupa trincaram. Na cozinha, uma vidraça também quebrou. Ela relata que poderia ter sido atingida pelos estilhaços. Valquíria e o marido também criam animais e relatam episódios de abortos espontâneos entre eles. A moradora acredita que os casos estejam relacionados aos sustos provocados pelas explosões. Não há, no entanto, comprovação técnica apresentada pelos moradores que estabeleça essa relação. “São animais, mas são vidas, e a gente tem dó, porque são vários animais. Não é um ou dois, são vários. A cachorra já teve três crias, e, nas três, todos os cachorrinhos nasceram mortos. Agora, as ovelhas também.” Britex Minerações Rodrigo Rocha/TV Asa Branca Alagoas Outro morador, Jailson Cabral, afirma que o impacto também é sentido pela filha, que tem autismo. Segundo ele, a menina fica agitada com o barulho das detonações e das máquinas usadas na pedreira. Já na residência de Maria Cleonice, além das rachaduras no imóvel, há preocupação com a estrutura que sustenta uma caixa-d'água de 15 mil litros instalada ao lado da casa. O local também apresenta sinais de danos. “Faz medo se essa caixa desabar mata a família completa dentro de casa. Temos medo”, disse. Os moradores cobram uma avaliação técnica para saber se as estruturas das residências oferecem segurança e se existe relação entre as detonações feitas pela pedreira e as rachaduras registradas nos imóveis. Pedreira está sem licença municipal desde fevereiro Rachadura em casa de São José da Tapera (AL). Rodrigo Rocha/TV Asa Branca Alagoas A instalação de uma pedreira próxima a áreas residenciais não é proibida, mas a atividade precisa cumprir regras ambientais e de segurança para reduzir os riscos causados por explosões, vibrações, ruídos, poeira e circulação de máquinas e caminhões. Entre as exigências estão o licenciamento ambiental e o cumprimento das normas da Agência Nacional de Mineração (ANM) e das regras relacionadas à segurança do trabalho. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São José da Tapera, a primeira licença municipal para funcionamento da pedreira foi concedida em agosto de 2024 e tinha validade de um ano. Em agosto de 2025, a autorização foi renovada por mais seis meses, mediante o cumprimento de determinadas condições. De acordo com a prefeitura, as exigências não foram atendidas e, por isso, a licença não foi renovada novamente. Desde fevereiro de 2026, segundo o município, a pedreira funciona sem autorização municipal. IMA autuou empresa Britex Minerações Rodrigo Rocha/TV Asa Branca Alagoas O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) informou que a empresa foi autuada por operar sem licença ambiental. Segundo o órgão, existe atualmente um processo de regularização em andamento. A licença, no entanto, só poderá ser concedida caso a empresa cumpra os requisitos estabelecidos pelo instituto. MPT também investiga pedreira O Ministério Público do Trabalho (MPT) também investiga a atuação da empresa. Um inquérito aberto em 2025 apura possíveis irregularidades relacionadas às condições de trabalho, ao fornecimento de água potável, à entrega de equipamentos de proteção individual (EPIs) e à formalização dos vínculos dos trabalhadores. Segundo o MPT, os responsáveis pelo empreendimento já foram notificados, mas ainda não apresentaram resposta. Mesmo sem a licença municipal e após a autuação ambiental, moradores afirmam que a pedreira continua funcionando. As famílias agora querem saber se as casas continuam seguras e cobram uma avaliação que determine se os danos registrados nos imóveis têm relação com as explosões. Caso essa ligação seja comprovada, também querem saber quem será responsável pelos reparos. Moradores do Sítio Serrinha, na zona rural de São José da Tapera, denunciam rachaduras, vidros quebrados e medo provocado por explosões de uma pedreira. Reprodução

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