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Brasiliense tem sotaque? Pesquisa da UnB tenta descobrir o que define o jeito de falar do DF

Pessoa atravessando a rua no DF TV Globo/Reprodução Muitas vezes, é fácil identificar de que região do Brasil veio uma pessoa só pelo jeito que ela fala. ...

Brasiliense tem sotaque? Pesquisa da UnB tenta descobrir o que define o jeito de falar do DF
Brasiliense tem sotaque? Pesquisa da UnB tenta descobrir o que define o jeito de falar do DF (Foto: Reprodução)

Pessoa atravessando a rua no DF TV Globo/Reprodução Muitas vezes, é fácil identificar de que região do Brasil veio uma pessoa só pelo jeito que ela fala. Os "Rs" e "Ss" são, por exemplo, sons que costumam revelar a naturalidade de brasileiros — da maioria deles, pelo menos. Mas a dúvida surge sempre que um brasiliense entra na conversa. Isso porque a cidade, que completa 66 anos nesta terça-feira (21), foi formada a partir da junção dos sotaques dos trabalhadores de todas as partes do país que migraram para ajudar a construir a nova capital federal. Não é difícil ouvir moradores da capital com o discurso: "eu não tenho sotaque". Ou encontrar quem fique na dúvida ao escutar um brasilense falar. Para desvendar os mistérios do "jeitinho" de conversar de quem vive no quadradinho, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) colocaram o ouvido para teste. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O professor do Instituto de Letras (IL) da UnB Ronaldo Lima conta que o interesse por essa pesquisa surgiu de forma "automática", motivado por vivências pessoais. "Sendo brasiliense, casado com uma brasiliense também, morei oito anos em Fortaleza, no Ceará – já trabalhando como linguista, professor universitário. Eu achava muito interessante as pessoas identificarem no meu sotaque que eu não era de lá, que eu não era de Fortaleza. Mas quando eu perguntava de onde que eu era, então? Ninguém sabia identificar", conta. Globo Comunidade DF mostra que sotaque "candanguês" existe Investigação Ronaldo Lima explica que este é o momento ideal para a pesquisa ser realizada. A capital federal completa 66 anos na próxima terça-feira (21) – ou seja, quem chegou para construir Brasília já é avô ou bisavô. "A gente já passa a ter brasileiros de segunda geração adultos. É quando já dá para você pesquisar se existe um sotaque, um dialeto específico." Para extrair os sons da capital, a pesquisa seguiu os seguintes passos: 🔎 1ª etapa: 30 brasilienses de segunda geração, com idade entre 18 anos e 40 anos, preencheram um questionário com questões como idade, grau de escolaridade, regiões onde já morou no DF, de onde são os pais, entre outras; 🔎 2ª etapa: os voluntários tiveram as vozes gravadas enquanto liam 63 frases-guias e uma fábula tradicionalmente utilizada na Fonética como fonte de coleta; 🔎 3ª etapa: os participantes assistiram a um vídeo e descreveram com suas próprias palavras o conteúdo visto. 🔎 4ª etapa: os voluntários simularam uma entrevista ao pesquisador a partir de um formulário impresso que pedia informações como nome, idade, estado civil, entre outros dados. Qual será o sotaque preferido entre os brasileiros? Tem sotaque ou não tem? Apesar de muitas pessoas alegarem que Brasília tem um sotaque "neutro" ou inexistente, não é isso que o material colhido pesquisa vem apontando. Coordenador do estudo, Ronaldo Lima afirma que, "se existe uma escolha de consoantes e de vocais que é consistente entre os brasilienses, existe um sotaque – mesmo que a percepção leiga seja neutra". A investigação ainda não foi concluída, mas algumas descobertas já começam a despontar. Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília (DF) em novembro de 2015 Ana Volpe/Agência Senado Ao analisar os sons da pronúncia das letras "R" e "S" na fala dos moradores da capital, foi identificado que: o "R" do Brasiliense, ele tende a ser uma leve aspiração da garganta, diferente de outras regiões que falam o chamado "R caipira" ou do som feito com a ponta da língua; o som de "S" não é chiado, como no Rio de Janeiro, por exemplo. Mesmo que as pessoas percebam que o modo de falar na capital é diferente de outras regiões, elas ainda não sabem identificar que é uma característica de quem mora em Brasília. Esse é um dos pontos que devem ser explorados nos próximos passos da pesquisa. Até lá, a melhor opção é conversar com os brasilienses (nascidos ou adotados) e tentar identificar: afinal, qual o sotaque do quadradinho? Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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